Os erros mais comuns de iniciantes ao violão

Ao longo dos anos como professor pude me deparar com as mesmas situações e erros comuns que as pessoas cometem quando estão começando a aprender violão ou tentando aprender sozinhas. Em alguns casos essas coisas não interferem tanto no desenvolvimento do aluno, mas já pude notar situações onde esses estragos são praticamente irreversíveis. Acho que o pior estrago de todos é uma concepção falsa da coisa, onde tudo parece ser mais difícil, e a pessoa de tanto se desgastar começa a achar que tem problemas que na verdade não tem. Auto estima comprometida, achar que isso é só pra quem tem “dom”, “talento” ou jeito pra coisa, são só algumas das falsas concepções que surgem carregadas de frustrações que impedem o progresso da pessoa. Vou listar a seguir alguns erros e dicas de como prosseguir e ter uma boa iniciação.

Começar aprendendo por acordes

Sim, usamos o violão para fazer acordes, e isso pode acontecer em praticamente 90% do tempo se tratando de violão popular. Mas conseguir montar um acorde usando várias cordas, sincronizar o movimento de múltiplos dedos ao mesmo tempo com o toque da mão direita, nem sempre é o melhor ponto de partida. Fazer acompanhamento de canções envolve questões como uma percepção auditiva e coordenação motora um pouco mais desenvoltura no instrumento. Uma música não é necessariamente fácil só porque usa poucos acordes. Minha dica é aprender melodias simples e curtas usando poucas cordas e em poucas casas, para aprender a usar e desenvolver a independência dos dedos da mão esquerda, e a partir desse ponto começar a arranhar alguns acordes usando levadas simples. Use versões simplificadas e mais fáceis de acompanhamento, e vá aumentando de pouco em pouco seu repertório e junto com a complexidade dos acordes e levadas que está aprendendo.

Outro ponto que merece destaque: a ideia do que é tocar violão para muitas pessoas é o mesmo que cantar e tocar se acompanhando, mas isso representa 3 habilidades diferentes: Tocar violão, cantar, e conseguir fazer os dois ao mesmo tempo (tocar o acompanhamento da canção enquanto canta). Definitivamente não faz o menor sentido tentar sair cantando enquanto ainda estamos aprendendo a tocar, aprenda uma coisa de cada vez que é melhor.

Não saber praticar e inconsistência

Pratique de uma forma contínua, tenha paciência e foco até conseguir algum progresso. Persista até conseguir algum resultado prático nas mãos, não troque de exercício, música ou assunto que está estudando enquanto não terminar ou não ter um resultado satisfatório. Veja algumas dicas de como estudar e praticar nesse post.

Dar um passo maior do que a perna

Tente começar aprendendo canções e músicas fáceis, para iniciantes. Você não vai conseguir resolver a coisa “na raça” ou na base de esforço, se estiver buscando praticar algo além das suas possibilidades. Acertar o passo é algo difícil de conseguir fazer sem experiência ou orientação, mas de qualquer forma seja realista e tente escolher a briga de acordo com o seu tamanho no momento.

Tentar abraçar o mundo

Hoje em dia conseguimos uma quantidade de informação praticamente infinita na internet, temos revistas, sites, livros, vídeos, tutoriais, fóruns, e podemos acumular tanta informação que é impossível de digerir tudo. Todo conhecimento é válido, mas construir conhecimento sólido a partir de informação é onde a maioria das pessoas falha, muita informação e pouco conteúdo não serve de nada. Não adianta você fazer download de todos os métodos e livros do mundo se você não tiver condições de praticar e estudar até consumir todo o material e no final das contas ficar correndo atrás do próprio rabo igual uma barata tonta.

Minha dica é limitar as suas fontes de informação como se sua vida dependesse disso. Não se preocupe em conseguir um novo livro, lição, vídeo tutorial ou coisa do tipo, a menos que já tenha assimilado completamente aquilo que você já tem em mãos. A um tempo atrás as pessoas estudavam música com 1 décimo dos recursos que temos hoje em dia de maneira gratuita em mãos, e sinceramente acho que a diferença é que era mais clara a importância de se ter qualidade ao invés de quantidade. Menos é mais quando o assunto é levantar fontes para estudar.

Autodidattismo

Os autodidatas costuma ter ótimos pontos positivos: interesse, espírito de procura, foco e determinação maior do que a média. Mas o tempo que se leva para aprender a discernir o joio do trigo, e a aprender com os próprios erros e acertos, é por muitas vezes longo demais e desgastante. Você pode levar o dobro ou o triplo do tempo para chegar em algum resultado se no meio do percalço ir na direção errada, e também pode adquirir vícios técnicos, más atitudes e hábitos, e principalmente falsas concepções de teoria musical nesse trajeto. Acho que o ponto mais ingrato se tratando de autodidatas é a falta de segurança. Às vezes a pessoa já assimilou um conteúdo 100% mas nunca tem certeza se o que está fazendo está certo, ou se já é hora de parar de se preocupar e passar a estudar outras coisas, como se houvesses a necessidade de alguém de fora para dar uma confirmação de que ele já sabe aquilo e está tudo certo. Outro aspecto negativo é que a nossa tendência é sempre buscar praticar e estudar aquilo que gostamos mais, e não aquilo em que precisamos melhorar. Por exemplo: o aluno está com um aspecto técnico bem resolvido e continua a praticá-lo, enquanto que outro ponto como formação de repertório, ou conhecimento de teoria musical, que merecia mais atenção sempre fica de lado.

O papel do professor é oferecer atalhos, ensinar de uma só vez e de maneira coerente aquilo que poderia se levar anos para aprender pelos próprios meios, e também ajudar no desenvolvimento por igual de todos os pontos na vida musical do aluno. Contar com um bom professor irá tornar sua vida menos cansativa, ou mesmo viável para conseguir atingir seus objetivos com o instrumento.

Usar péssimas fontes ou maus professores

Também é preciso escolher um professor dentro do seu perfil e que seja capacitado a oferecer boas aulas. Antes só do que mal acompanhado, já diz o ditado. Se ser autodidata pode ser ruim, escolher um mau professor pode ser ainda pior, e isso nem sempre tem a ver com a qualidade profissional de cada professor, mas principalmente com a maneira pela a qual ele vai servir a você em seu propósito. Sempre pergunto qual o objetivo dos meus aluno nas primeiras aulas, para assim poder suprir suas necessidades específicas. Não vale a pena forçar conteúdos fora de hora goela a baixo do aluno, se isso não vai ser bem aproveitado no momento ou se não for de acordo com seus objetivos. Encontre um professor em quem você confie e respeite, e perceba se o desenrolar das aulas está dando certo.

Outra coisa importante a ser levada em conta é a qualidade das fontes de informações que você está usando. Isso pode ser difícil de discernir quando somos iniciantes e leigos no assunto, mas procure verificar quem está dando aquela dica, qual a experiência e gabarito do instrutor online, se aquela apostila que você baixou está bem escrita ou se faz sentido, se a linguagem é clara o suficiente, e assim por diante. Isso também se aplica a alunos mais avançados: partituras, tablaturas e cifras de má procedência podem mais atrapalhar do que lhe ajudar. Às vezes o problema não é você, o material que é ruim mesmo.

 

Ser impaciente

Não passe por cima de você mesmo, tenha paciência e se dê a oportunidade de aprender as coisas no seu ritmo, sem ter pressa ou se irritar desnecessariamente. Ninguém nasce sabendo de nada, e o mais virtuoso dos músicos foi também um iniciante como você está sendo agora. Não se compare aos outros, procure vencer a si mesmo e as próprias dificuldade dia a dia, e considere isso como verdadeiro progresso. Não existe pessoa que não consiga tocar bem, é questão de tempo, prática, estudo e ensaio, e a orientação correta para facilitar esse trajeto. Dom e talento (se é que existem de fato) não são nem 10% na equação, todos que tocam de maneira satisfatória passaram horas se dedicando para conseguir chegar naquele resultado.


Já que dedico esse post para iniciantes, veja também qual minhas dicas de qual violão comprar , , se você ainda não tem instrumento, e boas cordas para usar.


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